Há uma família que tenho observado na pacata cidade de Mont Tremblant. Uma mãe, um pai, a filha mais velha,o filho do meio e o bebê... São conhecidos como os Harrisons.De longe, por puro entretenimento, observei cada um de seus movimentos. Desde o gosto por uma obra de arte, a sintonia de uma bela música, ideias criativas e ousadas para mudar um mundo fadado à tragédia, pesadelos intermináveis e um choro assustado em busca de esperança. Me divirto ao ver todos eles perderem essa mesma esperança à medida que percebem que suas vidas e seu mundo logo chegarão ao fim. Eu me alimento do medo deles, da preocupação que têm de serem mais um número em meio aos casos de desaparecimentos da cidade. Regozijo-me com o terror e a desesperança que aquelas cinco criaturas compartilham ao notar que as coisas não serão mais como eram antes.