"O Homem Que Virou Post" constrói uma ponte fascinante entre a ansiedade contemporânea da hiperconexão digital e os mitos ancestrais da memória humana. A narrativa inicia-se com uma premissa sutil: a realidade começa a sofrer alterações que "aconteciam de forma tão discreta e gradual que podiam ser facilmente confundidas com falhas da memória". O romance acompanha Raimundo, um homem comum de trinta e dois anos, cuja compulsão por registrar sua vida nas redes sociais atua como o catalisador para a descoberta de uma entidade colossal e invisível, que se alimenta não de dados, mas de histórias. Através da intersecção entre a rotina urbana e o sobrenatural, a obra propõe uma profunda reflexão teórica sobre o que significa existir num mundo onde a experiência só se valida após ser narrada e compartilhada. À luz da teoria da literatura, o "Realismo Maravilhoso" (ou Realismo Mágico), popularizado por autores latino-americanos como Gabriel García Márquez e Alejo Carpentier, caracteriza-se pela naturalização do absurdo. O insólito não causa hesitação paralisante (como no "Fantástico" teorizado por Tzvetan Todorov), mas é absorvido pela realidade cotidiana de forma orgânica.
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