OUTROS ENSAIOS SOBRE LEITURA

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[...] Somos criaturas leitoras, ingerimos palavras, somos feitos de palavras, sabemos que palavras são nosso meio de estar no mundo, e é através das palavras que identificamos nossa realidade e por meio de palavras somos, nós mesmos, identificados (MANGUEL, 2017, p. 140).À leitura se tem atribuído o papel de vilã em muitos dos desacertos da sociedade atual. Quem nunca ouviu a frase 'o mal de hoje é a (falta de) leitura'? Seja pela sua inexistência, seja pela ineficácia quando da sua realização, a leitura é sempre lembrada como protagonista. E até mesmo o fato de negá-la, afirmando que não ocorre (ou, por vezes, não como seria desejado), apenas reforça a sua importância. Isso se deve ao fato de que não é aleatória a centralidade que ela ocupa na formação dos sujeitos, e tal afirmação pode ser sustentada independentemente da área de atuação escolhida pelo indivíduo. A necessidade de ser leitor atinge a todos.Como sustenta Manguel (2017) na citação acima, ser leitor relaciona-se ao nosso estar no mundo, até porque, em última instância, as palavras do outro, unidas às nossas ou em contraste com elas, nos identificam e constroem. Mas, para além das palavras, tão enfatizadas por este autor no trecho mencionado, é possível dizer mais: somos leitores porque estamos cercados também por imagens, cores, sons, gestos, cheiros, por um mundo, enfim, que precisa ser lido. Diante desse contexto, é preciso refletir sobre esta prática, o que justifica o surgimento de tantos livros, congressos, aulas e pesquisas envolvendo a leitura. Fazer circular o conhecimento sobre o tema é importante para sair do senso comum e dar voz àqueles que desenvolvem pesquisas sobre o tema, com o objetivo de contribuir para que cada vez tenhamos mais leitores proficientes, capazes de ocupar, de maneira crítica, seu lugar na sociedade. Por essa razão, a obra que ora se apresenta sob o título Outros ensaios sobre leitura: vozes, experiências, reflexões justifica-se por aquilo que apresenta já no título: pela sua alteridade e dialogicidade. O anúncio de que estes ensaios são 'outros' aponta para o seu funcionamento como mais um 'elo da cadeia dos atos de fala' (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1997, p. 98) sobre o assunto. Assim, é pelo reconhecimento da trajetória de todos os estudos que já abordaram a leitura, seu ensino, a formação de leitores, as histórias de leitores e de leitura, que o presente livro está pautado. Sem esse diálogo, necessário e inevitável, nenhum dos textos aqui publicados seria possível.Contudo, para além dessa interdiscursividade, inerente ao fazer científico, Outros ensaios também está assentado numa ideia de leitura que contempla a relação entre sujeitos, através dos mais diferentes textos que circulam na sociedade. Em outras palavras, os autores desta coletânea, cada um dentro de sua especificidade, entendem que todo texto é uma atividade de linguagem situada, portanto, que envolve sujeitos sociais, num dado contexto histórico e numa situação de interação cujos parâmetros interferem na sua materialidade e devem ser levados em consideração pelos interactantes, seja na produção ou na leitura.O conjunto de textos que compõem esta obra propõe, portanto, diferentes eixos de reflexão sobre a leitura, ao mesmo tempo em que não perde de vista a relação dialógica com a rede de pesquisas já desenvolvidas sobre o tema.Neste sentido, um primeiro eixo deste livro seria aquele que pensa a leitura no contexto da multimodalidade, procurando relacionar as práticas de leitura na sociedade atual e uma prática de ensino que esteja voltada para preparar o aluno a tornar-se um leitor apto a enfrentar as exigências atuais, provocadas pela emergência dos mais diferentes recursos tecnológicos e dos textos decorrentes desse cenário. Assim, o capítulo 'Tirinhas e histórias em quadrinhos (HQs) nas aulas de línguas adicionais', de Daniela Gomes de Araújo Nóbrega e Fábio Marques de Souza, discute as implicações pedagógicas que a imersão atual nas novas tecnologias digitais da informação impõe para o ensino de línguas adicionais, tendo em vista que a leitura seria um caminho para a inserção eficaz dos sujeitos neste contexto. Diante da diversidade textual, os autores escolhem abordar as histórias em quadrinhos, a fim de apresentar uma proposta de ensino que contemple a leitura a partir da multimodalidade e do multiletramento.Dentro desta mesma temática, o capítulo 'Multimodalidade e Gramática do Design Visual: possibilidades metodológicas para o ensino de leitura', de Maria Gorette Andrade Silva e Linduarte Pereira Rodrigues, apresenta uma proposta de ensino a partir das contribuições da Gramática do Design Visual (GDV), mais especificamente voltada para a leitura de textos produzidos na esfera publicitária e para as diferentes estratégias leitoras exigidas por textos multimodais. Para tanto, os autores baseiam-se no pressuposto de que 'o ato de ler tornou-se mais complexo e multifacetado, passando a exigir estratégias leitoras não lineares e, portanto, não afixadas a um modelo ‘engessado’ de leitura e de leitores' (p. 25).Um segundo eixo de reflexão, presente no livro, evidencia a leitura de literatura e o ensino, buscando propor estratégias de abordagem do texto literário a fim de formar leitores, de um lado, e, de outro, explorando o terreno sempre difícil das relações entre as teorias estudadas na formação do professor e sua prática pedagógica. O capítulo 'Da fonte inefável: propostas para uma teoria de leitura da literatura', de Nefatalin Gonçalves Neto, focaliza a formação de professores e a importância da teoria no processo de ensino-aprendizagem, de alunos e também professores enquanto sujeitos em formação contínua. Neste contexto, o autor menciona algumas armadilhas com as quais se depara o professor, tais como a ausência de uma prática constante de leitura paralelamente à necessidade de abordar livros com os quais não tem, por isso, familiaridade a tentação de usar subterfúgios de apoio, como o teatro e cinema, que podem ser importantes ferramentas de suporte para abordagem do texto literário, mas que também trazem, segundo ele, o risco de servirem apenas como muletas de amparo para a ausência de um trabalho consistente. O capítulo está orientado, portanto, para a discussão a respeito de como deve ser essa abordagem da literatura, para que a teoria não se sobreponha à leitura inventiva, engessando práticas e percepções de professores e alunos.Ainda neste segundo eixo, o capítulo 'Leitura de contos: alternativas para a formação de leitores', de Marcelo Medeiros da Silva, recupera uma pergunta que todo docente da área se faz ao enfrentar a sala de aula: 'como se deve proceder na formação de leitores de literatura?' (p. 72). O autor defende que as escolhas sobre o que ler na escola representam um ponto importante, que pode orientar para o sucesso ou não do objetivo de formar leitores de literatura. Segundo ele, os caminhos possíveis levam em consideração as escolhas realizadas pelos professores, mas também aquelas que partem do gosto dos alunos, além da realização de atividades que extrapolem o espaço da sala de aula. A fim de ilustrar uma proposta pedagógica assentada sob essa perspectiva, o autor apresenta sugestões para a abordagem do gênero conto.Um terceiro eixo, observado nesta obra, traz dois capítulos voltados para a prática adotada por professores na aquisição da leitura em fases iniciais. O texto de Jean Rafael Alves Ellaro e Cyntia Graziella Guizelim Simões Girotto, intitulado 'O desenho como linguagem: um diálogo entre o professor e suas práticas, Vigotsky e Bakhtin', aborda a relação entre arte, imaginação e linguagem, através do desenho. Para os autores, o desenho contribui para o desenvolvimento das funções psíquicas (em seus aspectos social e individual) da criança e, por essa razão, são importante recursos a serem inseridos nas aulas. Assim, ao longo do artigo, são construídas reflexões sobre a necessidade de os professores desenvolverem conhecimento teórico sobre a linguagem do desenho, a fim de planejar ações pedagógicas que atendam melhor às necessidades de aprendizagem das crianças.Seguindo um percurso diferente, o capítulo 'Leitura: de atividade complexa a atividade cotidiana', de Selma de Cássia Martinelli, defende que, diante da complexidade inerente à aquisição da leitura, a escola tem papel essencial neste processo, ainda que a criança venha de um contexto social e familiar de incentivo à leitura. Neste sentido, a autora recupera os resultados de experiências de aplicação do modelo de Resposta à Intervenção (RTI), realizadas com crianças nas mais diferentes fases de aquisição e desenvolvimento da leitura. Considerando que duas ações principais estão envolvidas na leitura, a saber, decodificação e atribuição de sentido, Martinelli aponta para a eficácia das intervenções propostas a partir do modelo de RTI, em todas as etapas.O quarto eixo de abordagem da leitura neste livro apresenta dois capítulos que desenvolvem estratégias de leitura para dois diferentes textos: o fílmico e o imagético (neste último caso, a partir do gênero charge). O capítulo intitulado 'Memória, eu inacabado e transgrediência: a arquitetônica bakhtiniana no cinema' analisa a construção dos sentidos no filme O doador de memórias (The Giver, 2014), a partir das contribuições de M. Bakhtin. São discutidas por Ivo Di Camargo Júnior as relações entre memória, história e tempo, através de recortes de cenas/situações vividas pelas personagens da obra fílmica. O autor conclui que 'quando se constrói um sujeito ético e responsável teremos, por conseguinte, uma sociedade também mais ética e responsável' (p. 163), a leitura de diferentes textos, publicados nos mais variados suportes e esferas, pode ser, portanto, o caminho para alcançar este sujeito ético.Por sua vez, o capítulo 'Leitura imagética e intericonicidade na Análise do Discurso', de Simone Dália de Gusmão Aranha, analisa sete charges brasileiras, publicadas na web, observando as imagens a respeito do professor, construídas nestes textos. Para tanto, está construído com base no referencial teórico da Análise do Discurso de linha francesa e se organiza em três partes: a) retomada dos principais conceitos desta perspectiva teórica b) discussão sobre as principais abordagens teóricas sobre a leitura no âmbito da Linguística e c) leitura das charges que compõem o corpus. A autora ressalta no seu texto a 'importância de saber ler muito além do que se vê' (p. 174) e traz, por essa razão, análises permeadas pelo dialogismo e pela interdiscursividade.Finalizando esta obra, o capítulo escrito por Cássia da Silva e Aluizio Lendl, intitulado 'A relação entre a sociologia do improvável e leitura', recupera o relato de uma leitora que se tornou professora e sua experiência particular com a leitura, refletindo sobre como ocorre a formação do leitor em um ambiente improvável caracterizado, entre outros fatores, pelo fato de o leitor ter pais semianalfabetos, residir em zona rural e ter pouco acesso aos livros, como acontece com a leitora cujos relatos compõem o corpus deste trabalho. Ao longo do texto, os autores estabelecem ainda a relação entre êxito escolar e leitura.Ensino, multimodalidade, literatura, aquisição, formação de leitores... Após a leitura desta obra, cujos textos dialogam tão bem entre si e com as áreas que suscitam, sem dúvida, seremos outros e teremos entendido as diferentes faces desse tema, sempre tão urgente e atemporal (mas jamais anacrônico) que é a leitura.Profa. Dra. Danielly Vieira INÔ (UEPB) ISBN: 9786580266227 AUTOR: Fábio Marques de Souza, Ivo Di Camargo Junior

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