Mário Oliveira Souza é um daqueles gênios literários anônimos, talhado sob o fórceps da vida, e na sua própria observação dos fatos sem academicismos nem filulas. Quebrar padrões analíticos comuns nutre a sua essência, enquanto indivíduo. Desta forma, a protocolar adequação convencional não lhe pertence; nem lhe pode pertencer, gostemos ou não. Assim como Nelson Rodrigues, Mário Filho, Rubem Braga e Evandro Gomes (inesquecíveis personagens da bem humorada crônica brasileira); o nosso Mário escreve sobre o dia-a-dia da sociedade formal e esportiva, sem esquecer as intenções ocultas dos indivíduos... e assim como os famosos cronistas, de forma quase sempre ácida. O vejo como ‘espelho’ de uma escola geracional, alicerçada na livre reflexão onde o questionamento afiado, o sarcasmo sem freios, e a espirituosidade libertária se fundem em inteligência criativa e notável paixão irrefreada. Talvez ele seja um dos poucos analistas vivos a traduzir o espírito de uma época onde o politicamente correto não existia, falava-se o que dava na ‘telha’, e as reflexões irônicas imperavam. Falando sobre curiosidades televisivas, futebol, democracia, e racismo, a sua dialética é negativa quando exalta a incompreensão aos atuais conceitos e regras, impostos ‘goela abaixo’. Entretanto, apesar dos intelectuais da Escola de Frankfurt (como Theodoro Adorno, nos anos 1920) assim o tentarem para fins ideológicos... Mário Oliveira Souza apresenta-se superior, notadamente superior, porque o faz por mera visão existencial e sem objetivos revolucionários; portanto sob autêntica legitimidade pessoal.
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